sábado, 12 de maio de 2012

Este lugar me  oprime. Não consigo mais passear por esta paisagem dura e branca, este céu mais do que azul é tão limpo e claro, mas ele me devora, me consome, me odeia. Esta cidade não tem pena de mim, ela literalmente não me ama. Eu queria ir, sair, fugir, mas ainda não posso, tenho coisas a fazer por aqui, pois esta cidade, apesar de tudo, precisa de mim, e eu também preciso dela. De manhã faz frio, meio-dia calor, à noite chove, eu não a entendo, ela se parece tanto comigo, muda de clima como eu mudo de humor. Aqui é tudo tão bem desenhado, tudo tão cheio de curvas, aqui tem tanto espaço, é tudo tão planejado, é tudo feito para ser sério. Mas eu quero ir para longe daqui, me libertar disso tudo, isso tudo que é tão meu. Não sei! Mas eu volto, pois entre eu e esta cidade há algo mais. Entre nós há contradições, entre nós há sentimento de posse, entre nós há troca, entre nós há não sei mais o quê.
como eu queria ser

Eu queria ser aquilo tudo que não sou
Ser o que sou
Sorrir, amar, cantar
Eu queria ser uma rosa, um rio, um vento do sul
Eu sou uma pessoa
Eu sou gente
Eu sou de carne, osso, nervos...
Eu não me acabei
Eu não sou, estou sendo